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Crônica Velhinhos da Pista

31/03/2017

 A crônica Velhinhos da Pista é de autoria do beneficiário Roberto Mazaferro, que participa do PromoVida, programa do Bensaúde que tem como objetivo a saúde do idoso. O texto relata de forma singela e muito precisa o cotidiano e disposição das pessoas que todos os dias caminham na pista do aeroporto.
Vale a Pena Conferir!


A pista de caminhada dita como do aeroporto, é um local de encontros, digamos, céleres pois ninguém para é proibido, todos andam e, se possível, rápido. Vemos gente das mais variadas estirpes e condições sociais, homens taciturnos e mulheres lindas, jovens e idosos. Cada horário tem sua turma, embora isso nunca tenha sido estipulado por ninguém a não ser pelo acaso. É um local, pois, bastante democrático onde uns falam alto e outros falam baixo. Tem gente sisuda e os sorridentes, os comunicativos e os fechados. Mas o que salta ao percebimento são os idosos, mormente no período da manhã. São os que vamos chamar, com o devido respeito, como diria o Padre Bento, de Os Velhinhos da Pista.

Os velhinhos da pista não tem idade, são alegres e contadores de causos. Todos tem boa saúde se não lá não estariam. São charmosos, alegres, ousados e, alguns, até se exibem de alguma forma para se fazerem notados. Tudo é válido e os assuntos variados, desde política até a história do paninho de enxugar banco que fora emprestado à donzela para secar o seu quando na verdade ela tinha o dela e não quis usa-lo! Revoltante. Assunto de família, principalmente netos, são abundantes. Só não vale falar de doenças que, talvez por um acordo tácito, nunca é mencionado. Os que insistem, são isolados. Ódio passa longe. Antipatia fica por conta de cada um. Tudo isso acontece caminhando, caminhando ...

Mirando no exemplo dos ditos idosos, vou fundar um clube cuja denominação será, claro, Os Velhinhos da Pista. No seu estatuto direi que neste clube não se fala de coisas tristes e nem de saudosismos que deprimem. As experiências resultadas em positivo poderão ser reveladas e muitos causos deverão ser contados. Afinal de contas a vida do ser humano foi estendida e já não se fala mais em velho de 60 anos. A velhice começa aos 80 e olha lá! Por isso, viver é uma arte, é ter independência, é saber driblar o alzheimer sim, isso existe como eu estou fazendo agora escrevendo esta crônica; é não se lamuriar com coisas banais; é não se sentir coitado e muito menos culpado; é fazer parte do Talentos da Maturidade; é fazer periodicamente exames médicos de manutenção; é saber dosar comida e bebida; é ouvir boa música, de preferência de sua época que são mais melodiosas e tem poesia; enfim é ser feliz incondicionalmente.

No clube, velhinhas são sempre bem vindas, desde que estejam dispostas a acompanhar na pista a lepidez dos seus respectivos velhinhos.

O clube não terá sede social porque isso gera aluguel e a coisa fica complicada, além de ser difícil cobrar a participação de velhinho esquecido. Assim, a sede é na pista mesmo! Também não haverá cobrança de mensalidade, tudo é gratuito, um sorriso e boa vontade consigo mesmo já paga tudo. Não haverá inscrição, quando muito troca de endereços a critério de cada um. Não tem diretoria e ninguém tem responsabilidade por nada a não ser sobre si mesmo. 


Na pista não se pode ficar falando besteiras mas pode falar coisas singelas. Pode paquerar discretamente sem se meter a besta, isso pega mal, e fazer galanteios sem impertinência nisso velhinho é bom, são adoráveis, as mulheres gostam principalmente as mais jovens, contudo, digo, é melhor namorar a própria esposa.

Nesse clube ninguém tem hora, só percebe o clarão e se guia pelo sol e, evidentemente, pelo estômago. Pode dar conselhos, se não for aceito o que tem com isso? Perdeu quem não aceitou. A experiência é dele e o patrimônio também, se houver. Velhinho não é bobo, é esperto e observador e não fofoqueiro um pouquinho pode e é até salutar. Pode cultivar a barba mas não andar com a barba por fazer, é imperdoável. Sabe administrar o excesso de experiência para não incomodar os obtusos. Velhinho da Pista não fica pensando no que pode acontecer, espera acontecer. Já viu de tudo e agora o lema é viver feliz.

Um abraço deste Velhinho da Pista.

Roberto Mazaferro

São José do Rio Preto, setembro de 2009.





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