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Compulsão Alimentar Periódica

17/08/2016

Alimentar-se, além de ser uma necessidade básica do organismo, é uma forma comum, rápida e simples de sentir prazer. O acesso fácil a alimentos desejáveis torna esse ato ainda mais corriqueiro, seja em casa, na escola, no trabalho ou na rua. 

Quem nunca falou ou ouviu frases do tipo "a melhor coisa da vida é comer", "eu como quando estou nervosa (o), ou triste/deprimida (o), ou feliz, ou preocupada (o) ", associando algum estado de humor como justificativa para consumir alguma coisa? Afirmações como esta são comuns e não seriam um problema se não ocorressem com frequência, se houvesse controle sobre este comportamento ou se, ao longo do tempo, não causasse problemas para a saúde como a obesidade, por exemplo.  

É comum perder o controle ou exagerar no consumo de produtos ou refeições quando se está com vontade de consumi-los, a exemplo de um prato preferido, uma festa familiar ou reunião de amigos. Com a percepção do exagero vem o arrependimento, a culpa e talvez o desconforto físico. Essa circunstância, na maioria das pessoas, invariavelmente promove o controle alimentar nos dias que se seguem.


Há pessoas, porém, que apesar de perceberem seu exagero, não conseguem parar de comer, excedendo e muito na quantidade de calorias consumidas em um único episódio alimentar. Elas perdem o controle sobre seu comportamento, seja na quantidade ingerida e no número de vezes que isso ocorre durante uma mesma semana. Indivíduos com este descontrole sugerem o chamado Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP), ou seja, podem ser os "comedores compulsivos".

O TCAP é frequente em pacientes obesos, mas pode acometer pessoas com peso normal. Nem todos os obesos apresentam este quadro, estima-se que cerca de 30% dos que procuram serviços especializados para o tratamento da obesidade, enquanto que na população em geral estima-se que sejam 2%. É importante observar que, a obesidade é uma condição física de múltiplas causas e com consequências para a saúde, mas não é uma doença psiquiátrica nem condição para um diagnóstico de Transtorno Alimentar.

Indivíduos com Compulsão Alimentar Periódica necessariamente precisam apresentar episódios de compulsão alimentares recorrentes que são a ingestão, em um período limitado de tempo (por exemplo, dentro de um período de duas horas), de uma quantidade de alimentos definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria em um período similar, sob circunstâncias similares. Essa ingestão deve ser seguida por sentimento de falta de controle, ou seja, um sentimento de não conseguir parar ou controlar o que ou quanto se come. É necessário que ocorram ao menos dois episódios de compulsão por semana em pelo menos seis meses para ser considerado TCAP. Outros comportamentos também são observáveis como: comer mais rapidamente do que o normal; comer até sentir-se repleto; comer quando não está fisicamente faminto; comer sozinho por embaraço devido à quantidade de alimentos que consome e até sentir repulsa por si mesmo, depressão ou demasiada culpa após comer excessivamente. Os "comedores compulsivos" sentem acentuada angústia relativa à compulsão alimentar e não apresentam comportamentos compensatórios inadequados (por exemplo, purgação, jejuns e exercícios excessivos), a exemplo da Bulimia Nervosa.

É necessário que a compulsão alimentar se dê em um período de tempo delimitado, o que exclui, por exemplo, indivíduos que "beliscam" o dia todo pequenas quantidades de alimentos. Este é um erro muito comum, confundir os comedores compulsivos com as pessoas que consomem vários alimentos ao longo de todo o dia, ainda que exagerem na quantidade destes alimentos excedendo a quantidade média de calorias recomendadas para um dia. Equivocadamente, até os obesos e pessoas que estão em constantes dietas para redução de peso referem que "comem compulsivamente", mas na verdade, muitos deles não apresentam o transtorno e sim o hábito de consumirem vários alimentos no decorrer de um dia, em especial alimentos calóricos e de baixo valor nutricional.

As causas deste quadro incluem as predisposições genéticas e constitucionais, as influências socioculturais e as vulnerabilidades psicológicas pessoais. Recentemente, em 2014, o TCAP foi incluído como um diagnóstico nos Transtornos Alimentares no DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Psiquiátrica Americana), assim reconhece-se a importância de formas de tratamentos multiprofissional, com mais ênfase em tratamentos com antidepressivos e as psicoterapias, sendo que as intervenções combinadas parecem ser mais eficazes. O objetivo do tratamento é estabelecer hábitos saudáveis de alimentação e ajudar o paciente a evitar todas as formas de hiperalimentação.

A identificação do quadro, a importância dele no surgimento e manutenção da obesidade e de outros quadros clínicos que prejudicam a saúde física e mental das pessoas acometidas, deve despertar a atenção dos profissionais envolvidos nos tratamentos para redução de peso. Estes indivíduos muitas vezes sofrem em silêncio com o constrangimento de seu comportamento sem controle, com o preconceito e julgamento e até mesmo com o isolamento social.

 

Fonte:  http://www2.unifesp.br

            http://pepsic.bvsalud.org/

            http://www.polbr.med.br/

            http://drauziovarella.com.br/

 




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